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« (...) Não se viam pássaros nem gente: a estrada assemelha-se a uma cicatriz, a uma prega, a uma ruga na pele, e de um e outro lado o horizonte, demasiado próximo, embacia os vidros do automóvel, o quadrado do espelho, os nossos próprios olhos, do seu denso hálito animal: nenhuma paisagem se lhe afigurava tão ameaçadora sob a sua inofensiva aparência de cenário de teatro, e imaginava sempre que se subissem com roldanas as colinas de cartão encontraria, atrás dos buxos, dos montes, da vagarosa, tranquilizadora palpitação da terra, trevas inquietas e profundas, como as que moram nas pupilas redondas das crianças, ocultas na falsa cumplicidade do sorriso. (...) »
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- "conhecimento do inferno" -
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(António Lobo Antunes)
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