domingo, 10 de novembro de 2013

in memoriam ...




 
 
 
«(…) exprimiam essa
coerência magnífica
que até nas paisagens  de maior desolação
e
luto
pode subsistir.
(…)»
 
 
in
"Os Incuráveis: Os Retratos (Vol. 1) "
 
(Agustina Bessa-Luís)

 







 
 




 

(p. A.G.)



















quinta-feira, 7 de novembro de 2013

penumbras


 
 
 
“But in the end one needs more courage to live than to kill himself.”
 
 
- Albert Camus -



 


 


 
 
 
 
 





 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 




(de JG e para JG )

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

retrouver le paradis ...






«- Tu te rapelles, demande-t-elle en arrivant à la porte, la dernière chose que je t'ai dite cette nuit-là ?

Mais il ne s'en souvenait plus.»




("Perdu
le paradis"

(Cees Nooteboom)


















 
















 

domingo, 7 de julho de 2013

Ostinato




 
Lamentation
 (detalhe) Fresco, Cappella Scrovegni
Giotto di Bondone


«(...) O título "Guerra Civil" contém talvez sugestões políticas, mas define acima de tudo uma situação de 'todos contra todos', de tragédia pressentida, de coisas que podem acontecer porque o Verão está no fim, ou porque duas pessoas não querem ou não sabem querer o mesmo ao mesmo tempo. (...)»
 
 
 
(Pedro Mexia
'Tenham cuidado'
- Fraco Consolo -
Revista Atual
Jornal Expresso / 06 de Julho de 2013)
 
 










 
 
 
 
 
 


domingo, 16 de junho de 2013

arché ...









 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
«(...) Será que também a nossa vida se subordina aos ãngulos rectos? Refiro-me àqueles itinerários complicados, feitos de segmentos, que todos nós temos de percorrer simplesmente para chegarmos ao nosso próprio fim.
 
Talvez, mas se uma mulher como eu pensa nisso à mesa de uma esplanada do Egeu, numa noite como esta, percebe que tudo aquilo que pensamos, que vivemos, agora e no passado, que imaginamos, que desejamos, não pode ser regido por geometrias. E que as janelas são apenas uma forma cobarde da geometria dos homens que temem o olhar circular, que tudo abarca sem sentido e sem remédio, como quando Tales observava as estrelas, que não cabem na moldura de uma janela. (...)»
 
 
Antonio Tabucchi
 
 
"Tristano morre"
- uma vida -
   
 
 
 
 












 

sexta-feira, 7 de junho de 2013

'libertas ecclesiastica' ...


 
 
 


 
 






 

CARLO CRIVELLI (1435 – 1495)
[Anunciação com St. Emídio - (detalhe)]
Londres, National Gallery
 


 
 
"To be, or not to be, that is the question:
Whether 'tis nobler in the mind to suffer
The slings and arrows of outrageous fortune,
Or to take arms against a sea of troubles
And by opposing end them. To die—to sleep,
No more; and by a sleep to say we end
The heart-ache and the thousand natural shocks
That flesh is heir to: 'tis a consummation
Devoutly to be wish'd. To die, to sleep;
To sleep, perchance to dream—ay, there's the rub:
For in that sleep of death what dreams may come,
When we have shuffled off this mortal coil,
Must give us pause—there's the respect
That makes calamity of so long life.
For who would bear the whips and scorns of time,
Th'oppressor's wrong, the proud man's contumely,
The pangs of dispriz'd love, the law's delay,
The insolence of office, and the spurns
That patient merit of th'unworthy takes,
When he himself might his quietus make
With a bare bodkin? Who would fardels bear,
To grunt and sweat under a weary life,
But that the dread of something after death,
The undiscovere'd country, from whose bourn
No traveller returns, puzzles the will,
And makes us rather bear those ills we have
Than fly to others that we know not of?
Thus conscience does make cowards of us all,
And thus the native hue of resolution
Is sicklied o'er with the pale cast of thought,
And enterprises of great pitch and moment
With this regard their currents turn awry
And lose the name of action."

("Hamlet" Act 3, scene 1, 55–87)
 
 
 
 
 



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 





domingo, 26 de maio de 2013

Castanheiros da Índia ...

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
 
 
 
Mais demain
je s'rai loin
alors dis-moi dis-moi vite
que tes mains ce sont mes mains
que mes yeux ce sont les tiens
tes mots les miens
mais pourtant
c'était bien
qu'est-ce qui dégringole si vite
qui jaunit comme un bouquin
c'est pas l'amour qui s'étaint
c'est quoi c'est rien
j'm'en vais tu pars
mais je sais qu'un jour
quelque part
une rue une gare
on se retrouv'ra comme hier
ensemble on vieillira j'espère
oh oh oh je voudrais que tu m'enterres
oh je voudrais que tu m'enterres
mais demain
je s'rai loin très loin
alors dis-moi dis-moi vite
que tes mains ce sont mes mains
j'm'en vais tu pars
mais je sais qu'un jour
quelque part
une rue une gare
on se retrouv'ra comme hier
ensemble on vieillira j'espère
oh oh oh je voudrais que tu m'enterres
oh je voudrais que tu m'enterres




 









 







quinta-feira, 9 de maio de 2013

mon amie la rose ...



 
 
 
 
 
 
 
 










«Posso imaginar-me tudo, porque não sou nada. Se fosse alguma coisa, não
 
poderia imaginar. O ajudante de guarda-livros pode sonhar-se imperador romano; o
 
Rei de Inglaterra não o pode fazer, porque o Rei de Inglaterra está privado de ser,

em sonhos, outro rei que não o rei que é. A sua realidade não o deixa sentir.»




 
 
["Livro do Desassossego"
Fernando Pessoa
Composto por Bernardo Soares,
ajudante de Guarda-livros na cidade de Lisboa]

 

 
 




 















 




 

sexta-feira, 3 de maio de 2013

peregrinações ...










«(...) Adieu, adieu! my native shore
Fades o'er the waters blue;
The Night-winds sigh, the breakers roar,
And shrieks the wild sea-mew.
Yon Sun that sets upon the sea
We follow in his flight;
Farewell awhile to him and thee,
My native Land — Good Night!(...)»


[in
"Childe Harold's Pilgrimage"
(George Gordon Byron, 6º Barão Byron]













segunda-feira, 29 de abril de 2013

This time tomorrow...






 






(cy twombly)




 
«Já fiz gastarem em flores mais dinheiro do que seria preciso
para sustentar uma família durante um ano.
Agora, uma só flor que Armando me deu esta manhã
basta para perfumar todo o meu dia »      
   
  - Margherite Gauthier -
 
A Dama das Camélias
[Alexandre Dumas (filho)]




 







 


















domingo, 28 de abril de 2013

Nighthawkes ...












 
 
 
 
«She's got everything she needs,
She's an artist, she don't look back.
She's got everything she needs,
She's an artist, she don't look back.
She can take the dark out of the nighttime
And paint the daytime black.

You will start out standing
Proud to steal her anything she sees.
You will start out standing
Proud to steal her anything she sees.
But you will wind up peeking through her keyhole
Down upon your knees.

She never stumbles,
She's got no place to fall.
She never stumbles,
She's got no place to fall.
She's nobody's child,
The Law can't touch her at all.

She wears an Egyptian ring
That sparkles before she speaks.
She wears an Egyptian ring
That sparkles before she speaks.
She's a hypnotist collector,
You are a walking antique.

Bow down to her on Sunday,
Salute her when her birthday comes.
Bow down to her on Sunday,
Salute her when her birthday comes.
For Halloween give her a trumpet
And for Christmas, buy her a drum.»
 
 
(She belongs to me : Bob Dylan)






















domingo, 21 de abril de 2013

affetti ...

..





(Arpad Szenes)



"Antigamente, sim, antigamente, a Terra tinha a forma quadrada, e um rio de fogo corria na superfície. Não havia aves nem plantas, as águas estavam nos ares como nevoeiro cor de ferro, e os ventos não as tinham distribuído ainda pelos quatro cantos agudos da Terra..."

[Agustina Bessa-Luís: "A mãe de um rio"]









 
 
 
 
 
 
 
 



sexta-feira, 19 de abril de 2013

dell'uomo ...
















 
 
 
 
« Desde os tempos da Guerra de Tróia,
não houve ninguém mais disputado que
eu.»
 
(Lord Byron)
 
 
 
 
 

























quarta-feira, 10 de abril de 2013

two tears of blood ...














[Si les furies de l'Enfer
venaient à disparaître,
Vous passerez vos journées
dans les Champs-Elysées éternels,
Car je périrai dans l'Au-delà.]
Ainsi advient-il à celui
qui suit les traces d'un aveugle :
à la fin il tombe au sol.

















terça-feira, 12 de março de 2013

Sehnsucht











(Cristo Negro - MNMC)







«Na abertura dos Irmãos Karamazov, Dostoievski inscreveu um versículo do Evangelho segundo São João : “Em verdade vos digo: se um grão de trigo, ao cair na terra, não morrer, fica infecundo; mas se morrer, produz muito fruto.(XII.24). »

























segunda-feira, 11 de março de 2013

Sehnsucht








(d. J.G.)





«A melancolia faz parte da nossa natureza. Se a não tivéssemos, como saberíamos o que é melhor do que esse estado lúcido da alma? »








 






 

sábado, 9 de março de 2013

roxo ...

 
 
 
 
 
 
 
 
 


 
 







 
 
Mathew 16, 18:
 
 "And I tell you that you are Peter,
and on this rock I will build my church,
and the gates of Hades will not overcome."


 




















sexta-feira, 8 de março de 2013

roxo ...











(Carl Larsson)
 
 
 
Há pequenas impressões finas como um cabelo e que, uma vez desfeitas na nossa mente, não sabemos aonde elas nos podem levar. Hibernam, por assim dizer, nalgum circuito da memória e um dia saltam para fora, como se acabassem de ser recebidos. Só que, por efeito desse período de gestação profunda, alimentada ao calor do sangue e das aquisições da experiência temperada de cálcio e de ferro e de nitratos, elas aparecem já no estado adulto e prontas a procriar. Porque as memórias procriam como se fossem pessoas vivas.
 

Agustina Bessa-Luís, in 'Antes do Degelo'

 
 
 
 

 












quarta-feira, 6 de março de 2013

roxo ...








"As engomadeiras"  (Carlos Reis)













 

«Toda a carne é como a erva.
E toda a glória do homem como a flor da erva.
Secou-se a erva, e caiu a sua flor.»
 
 
 
 
 
 
 
 
[in
"Das Leben ist ein Rauch, ein Schaum"
3. coro ( 1. Pedro 1.24 ),
Gerg Philipp Telemann.
Texto  adaptado de  Andreas Cramer]  
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 



sexta-feira, 1 de março de 2013

roxo ...
















 
 
 
 


Isto diz o Senhor: « Maldito o homem que confia no homem e faz consistir a sua força na carne humana, enquanto o seu coração se afasta do Senhor; como os cardos no deserto, ele não vê chegar a floração, prefere vegetar-se na secura do ermo, em região salobra e desabitada. (...) »



 
 
In
"Leitura do Livro do Profeta Jeremias".
(5a.feira, 28 de Fevereiro)
 
 
 
 
 
 

















quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

resignação...








 
 
 
 
 
 
 

 
 
 
Um minuto de silêncio


"Nos anos 70, Marina Abramovic viveu uma intensa história de amor com Ulay. Durante 5 anos viveram num furgão realizando todo tipo de performances. Quando sentiram que a relação já não valia aos dois, decidiram percorrer a Grande Muralha da China;
cada um começou a caminhar de um lado, para se encontrarem no meio, dar um último grande abraço um no outro, e nunca mais se ver.

23 anos depois, em 2010, quando Marina já era uma artista consagrada, o MoMa de Nova Iorque dedicou uma retrospectiva a sua obra.
Nessa retrospectiva, Marina compartilhava um minuto de silêncio
com cada estranho que sentasse a sua frente.
Ulay chegou sem que ela soubesse e... Foi assim."
 




(Traduzido por Rodrigo Robleño)
 




 























segunda-feira, 19 de novembro de 2012

aroma



















Mandei-lhe uma carta em papel perfumado
e com letra bonita eu disse, ela tinha
um sorriso luminoso tão triste tão gaiato
como o sol de Novembro brincando de artista
nas acácias floridas, na fímbria do mar

Sua pele macia era sumauma
sua pele macia, cheirando a rosas
seus seios laranja, laranja do Loje
eu mandei-lhe essa carta
e ela não disse que não

Mandei-lhe um cartão
que o amigo maninho tipografou
"por ti sofre o meu coração"
num canto "sim", noutro canto "não"
e ela o canto do "não" dobrou

Mandei-lhe um recado pela Zefa do sete
pedindo e rogando de joelhos na chão
pela Senhora do Cabo, pela Sta Efigénia
me desse a ventura do seu namoro
e ela disse que não

Mandei à Vó Xica, quimbanda da fama
a areia da marca que o seu pé deixou
para que fizesse um feitiço bem forte e seguro
e dele nascesse um amor como o meu
e o feitiço falhou

Andei barbado, sujo e descalço
como um monangamba procuraram por mim
não viu, não viu, não viu o Benjamim
e perdido me deram no morro da Samba

Para me distrair levaram-me ao baile
do Sr. Januário, mas ela lá estava
num canto a rir, contando o meu caso
às moças mais lindas do bairro operário

Tocaram a rumba e dancei com ela
e num passo maluco voamos na sala
qual uma estrela riscando o céu
e a malta gritou: "Aí Benjamim!"

Olheia nos olhos, sorriu para mim
pedi-lhe um beijo, la la la la la
e ela disse que sim
e ela disse que sim





 






























sábado, 17 de novembro de 2012

sétimo













(...) Uma pessoa envelhece lentamente: primeiro envelhece o seu gosto pela vida e pelas pessoas, sabes, pouco a pouco torna-se tudo tão real, conhece o significado das coisas, tudo se repete tão terrível e fastidiosamente. Isso é também velhice.

Quando já sabe que um corpo não é mais que um corpo.
E um homem, coitado, não é mais que um homem, um ser mortal, faça o que fizer...

Depois envelhece o seu corpo; nem tudo ao mesmo tempo, não, primeiro envelhecem os olhos, ou as pernas, o estômago, ou o coração. Uma pessoa envelhece assim , por partes.

A seguir, de repente... começa a envelhecer a alma: porque por mais enfraquecido e decrépito que seja o corpo, a alma ainda está repleta de desejos e de recordações, busca e deleita-se, deseja o prazer.
E quando acaba esse desejo de prazer, nada mais resta que as recordações,
ou a vaidade;
e então é que se envelhece de verdade,
fatal e definitivamente.

Um dia acordas e esfregas os olhos:
já não sabes porque acordaste...


Sándor Márai (2001). As Velas Ardem até ao Fim