«(...) O título "Guerra Civil" contém talvez sugestões políticas, mas define acima de tudo uma situação de 'todos contra todos', de tragédia pressentida, de coisas que podem acontecer porque o Verão está no fim, ou porque duas pessoas não querem ou não sabem querer o mesmo ao mesmo tempo.(...)»
«(...) Será que também a nossa vida se subordina aos ãngulos rectos? Refiro-me àqueles itinerários complicados, feitos de segmentos, que todos nós temos de percorrer simplesmente para chegarmos ao nosso próprio fim.
Talvez, mas se uma mulher como eu pensa nisso à mesa de uma esplanada do Egeu, numa noite como esta, percebe que tudo aquilo que pensamos, que vivemos, agora e no passado, que imaginamos, que desejamos, não pode ser regido por geometrias. E que as janelas são apenas uma forma cobarde da geometria dos homens que temem o olhar circular, que tudo abarca sem sentido e sem remédio, como quando Tales observava as estrelas, que não cabem na moldura de uma janela. (...)»
«She's got everything she needs,
She's an artist, she don't look back.
She's got everything she needs,
She's an artist, she don't look back.
She can take the dark out of the nighttime
And paint the daytime black.
You will start out standing
Proud to steal her anything she sees.
You will start out standing
Proud to steal her anything she sees.
But you will wind up peeking through her keyhole
Down upon your knees.
She never stumbles,
She's got no place to fall.
She never stumbles,
She's got no place to fall.
She's nobody's child,
The Law can't touch her at all.
She wears an Egyptian ring
That sparkles before she speaks.
She wears an Egyptian ring
That sparkles before she speaks.
She's a hypnotist collector,
You are a walking antique.
Bow down to her on Sunday,
Salute her when her birthday comes.
Bow down to her on Sunday,
Salute her when her birthday comes.
For Halloween give her a trumpet
And for Christmas, buy her a drum.»
"Antigamente, sim, antigamente, a Terra tinha a forma quadrada, e um rio de fogo corria na superfície. Não havia aves nem plantas, as águas estavam nos ares como nevoeiro cor de ferro, e os ventos não as tinham distribuído ainda pelos quatro cantos agudos da Terra..."
[Si les furies de l'Enfer venaient à disparaître, Vous passerez vos journées dans les Champs-Elysées éternels, Car je périrai dans l'Au-delà.] Ainsi advient-il à celui qui suit les traces d'un aveugle : à la fin il tombe au sol.
«Na abertura dos Irmãos Karamazov, Dostoievski inscreveu um versículo do Evangelho segundo São João :“Em verdade vos digo: se um grão de trigo, ao cair na terra, não morrer, fica infecundo; mas se morrer, produz muito fruto.” (XII.24). »
Há pequenas impressões finas como um cabelo e que, uma vez desfeitas na nossa mente, não sabemos aonde elas nos podem levar. Hibernam, por assim dizer, nalgum circuito da memória e um dia saltam para fora, como se acabassem de ser recebidos. Só que, por efeito desse período de gestação profunda, alimentada ao calor do sangue e das aquisições da experiência temperada de cálcio e de ferro e de nitratos, elas aparecem já no estado adulto e prontas a procriar. Porque as memórias procriam como se fossem pessoas vivas.
Isto diz o Senhor:« Maldito o homem que confia no homem e faz consistir a sua força na carne humana, enquanto o seu coração se afasta do Senhor; como os cardos no deserto, ele não vê chegar a floração, prefere vegetar-se na secura do ermo, em região salobra e desabitada. (...) »
"Nos anos 70, Marina Abramovic viveu uma intensa história de amor com Ulay. Durante 5 anos viveram num furgão realizando todo tipo de performances. Quando sentiram que a relação já não valia aos dois, decidiram percorrer a Grande Muralha da China;
cada um começou a caminhar de um lado, para se encontrarem no meio, dar um último grande abraço um no outro, e nunca mais se ver.
23 anos depois, em 2010, quando Marina já era uma artista consagrada, o MoMa de Nova Iorque dedicou uma retrospectiva a sua obra.
Nessa retrospectiva, Marina compartilhava um minuto de silêncio
Mandei-lhe uma carta em papel perfumado e com letra bonita eu disse, ela tinha um sorriso luminoso tão triste tão gaiato como o sol de Novembro brincando de artista nas acácias floridas, na fímbria do mar
Sua pele macia era sumauma sua pele macia, cheirando a rosas seus seios laranja, laranja do Loje eu mandei-lhe essa carta e ela não disse que não
Mandei-lhe um cartão que o amigo maninho tipografou "por ti sofre o meu coração" num canto "sim", noutro canto "não" e ela o canto do "não" dobrou
Mandei-lhe um recado pela Zefa do sete pedindo e rogando de joelhos na chão pela Senhora do Cabo, pela Sta Efigénia me desse a ventura do seu namoro e ela disse que não
Mandei à Vó Xica, quimbanda da fama a areia da marca que o seu pé deixou para que fizesse um feitiço bem forte e seguro e dele nascesse um amor como o meu e o feitiço falhou
Andei barbado, sujo e descalço como um monangamba procuraram por mim não viu, não viu, não viu o Benjamim e perdido me deram no morro da Samba
Para me distrair levaram-me ao baile do Sr. Januário, mas ela lá estava num canto a rir, contando o meu caso às moças mais lindas do bairro operário
Tocaram a rumba e dancei com ela e num passo maluco voamos na sala qual uma estrela riscando o céu e a malta gritou: "Aí Benjamim!"
Olheia nos olhos, sorriu para mim pedi-lhe um beijo, la la la la la e ela disse que sim e ela disse que sim
(...) Uma pessoa envelhece lentamente: primeiro envelhece o seu gosto pela vida e pelas pessoas, sabes, pouco a pouco torna-se tudo tão real, conhece o significado das coisas, tudo se repete tão terrível e fastidiosamente. Isso é também velhice.
Quando já sabe que um corpo não é mais que um corpo.
E um homem, coitado, não é mais que um homem, um ser mortal, faça o que fizer...
Depois envelhece o seu corpo; nem tudo ao mesmo tempo, não, primeiro envelhecem os olhos, ou as pernas, o estômago, ou o coração. Uma pessoa envelhece assim , por partes.
A seguir, de repente... começa a envelhecer a alma: porque por mais enfraquecido e decrépito que seja o corpo, a alma ainda está repleta de desejos e de recordações, busca e deleita-se, deseja o prazer.
E quando acaba esse desejo de prazer, nada mais resta que as recordações,