quarta-feira, 2 de março de 2011

arquivos.........


.
.
Lauren-Bon
.
.
Eugenio Recuenco
.

Há palavras que nos beijam



Como se tivessem boca,

Palavras de amor, de esperança,

De imenso amor, de esperança louca.



Palavras nuas que beijas

Quando a noite perde o rosto,

Palavras que se recusam

Aos muros do teu desgosto.



De repente coloridas

Entre palavras sem cor,

Esperadas, inesperadas

Como a poesia ou o amor.



(O nome de quem se ama

Letra a letra revelado

No mármore distraído,

No papel abandonado)



Palavras que nos tranportam

Aonde a noite é mais forte,

Ao silêncio dos amantes.





Alexandre O'Neill

(1924-1986)
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.

2 comentários:

Maria Trindade Goes disse...

O Eugenio iria, irá, gostar de alguns versos deste poema.

São quase setas a caminho de um alvo.
Por acaso, para mim também.




E, assim, se resume numa fotografia a alma intima(julgada tradicional) de Espanha:
Isabel, a Católica, entre um certo fascínio e a mais cruel ironia:a prisão entre trincheiras.

Conheces a série (balética e cénica) sobre a Inquisição?

frioleiras disse...

Conta lá ! ...
:-)

(achei......... ligação entre os versos e o Recuenco :-)