segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Florilège ...


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(Istambul 1710
O Livro da Ciência da
Música de Dimitri Cantemir)
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(F.C.Gulbenkian, esta noite...)
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Como li por aí... "Músicas que falam de Deus" ...
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E assim o senti. A harmonia, a cor, o detalhismo melancólico e doce, o virtuosismo,  a reverência, a emoção e a paz........ sentiam-se  à flor da pele...
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Do site da F.C.Gulbenkian um pequeno texto explicativo do que seria (foi) este belíssimo concerto e que melhor traduzirá (e de um modo mais substantivo) a emoção que dele emanou...
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 «  Jordi Savall e uma elite de músicos da Europa e Próximo Oriente recriam a música que se ouvia em Istambul por volta de 1710. A Marcha Turca e O Rapto no Serralho de Mozart, A Italiana em Argele O Turco em Itália, de Rossini, são a representação mais notória da Turquia na música ocidental, a que se juntam turqueries menores e mais obscuras, datadas sobretudo da segunda metade do século XVIII. Todavia, a presença da Turquia no imaginário musical europeu nunca passou de ornamento superficial, de vaga alusão às marchas militares das bandas de janízaros, coloridas por percussão abundante e estridente. Os músicos europeus não estavam interessados em estudos etnomusicológicos e Mozart terá mesmo dito que a música turca era "uma agressão aos ouvidos".
.O catalão Jordi Savall sempre acreditou que as fronteiras, na música e nos afazeres humanos, são uma convenção e, por vezes, um empecilho, e o seu CD Istanbul (elogiado nestas páginas quando da saída, em final de 2009), centrado no Livro da Ciência da Música, de Dimitrie Cantemir, e nas tradições contemporâneas sefarditas e arménias, é não só uma fonte de puro deleite musical como a revelação de um rico património que o Ocidente ignorou durante séculos.
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Curiosamente, o principal responsável pela preservação da música clássica turca dos séculos XVII-XVIII não foi um turco mas o príncipe moldavo Dimitrie Cantemir (1673-1723), um eruditoe um poliglota como houve poucos e que deixou obras de vulto no domínio da história e da musicologia - entre estas brilha O Livro da Ciência da Música, compilado durante o seu exílio em Istambul, e que reúne 355 peças, algumas das quais da sua autoria, já que Cantemir era também compositor e excelente tocador de tanbur, um alaúde de braço longo.
.Para apresentar este programa, Savall reforçou os seus fiéis do Hespérion XXI com convidados da bacia mediterrânica e Próximo Oriente, de forma que em palco estará um consórcio de gentes da Turquia, Arménia, Grécia, Marrocos, França e Espanha
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As tradições turca, arménia e sefardita conviveram neste domingo na Fundação Gulbenkian .......... »
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5 comentários:

Lizzie disse...

Que frustação:
tinha convite e á última hora foi-me impossível ir:((
Como não é acontecimento que se desperdice, acabei por "me" transferir para outra pessoa.

Porque um trabalho sério e com talento vale sempre a pena: viaja-se pelo tempo, pela História, sem acusações nem culpas.

(Agora ando a ouvir muito, repetidamente, um estudo feito por músicos ciganos de Granada: os traços já medievais, entre outros, do flamenco.
Pode ser só uma tese, não me interessa, mas é lindo nas letras e na sonoridade dos instrumentos, alguns pouco conhecidos, sobretudo um parecido com a sanfona).

frioleiras disse...

lizzie,

a minha sensibilidade... não poderá chegar ou equiparar-se à tua.... porquanto eu gosto e muito é de jordi savall............ da música dele, confesso que gosto sobretudo das suas incursões pela «época de ouro» ibérica e pelos «seu» marin marais.... gostei imenso do colorido deste concerto mas.... fiquei por aqui... há sp em mim uma enorme relutância (mas há imensa curiosidade) a outras terras, outros sons, outras linguagens que não às da europa judaico-cristã..................
ciganos, arabes, arménios ... asiáticos etc etc poderão ser interessantes mas........... não me identifico, de todo, com eles...

o periodo histórico desde a id. média até ao sec XIX (europeu) são o meu mundo, o meu chão, as minhas lágrimas e os meus risos.

não gostaria de pensar deste modo mas... penso-o e sinto-o...

Lizzie disse...

Credo,sei lá medir sensibilidades...a minha superior à tua?

Sou doidinha por Marais e... logo pelo Savall...

E também não sou muito ligada ao Universo fora do judaico-cristão.

Não ando à procura de música, árabe, chinesa e indiana, como é muito moda desde os anos sessenta.
Neste campo odeio modas.
Não rio, não choro, não me encosto no ombro nem sinto a pele em nenhuma delas.

O que me interessa, e por vezes gosto, é a influência que as outras culturas tiveram cá na nossa parte ocidental. E vice-versa.
Aí podem haver enriquecimentos mútuos.

Muitos "cantares" dos ciganos ibéricos, p.ex., são quase canto gregoriano. Aí, o meu ouvido, reconhece os "sons" a que se habituou.

Pode ser limitado da minha parte mas tenho que ter alguma coisa de familiar, de genético e sobretudo de reconhecível na expressão, no eixo melódico, na evolução da estética.

As danças que não têm rasto ou movimentos na história ocidental, também não me seduzem.
Consigo interpretar, de forma correcta ou não,o imaginário de uma dança dos índios da Ámérica do Norte. Mas não uma da China.

E não me sinto culpada por isso.

frioleiras disse...

exactamente................

frioleiras disse...

li a critica q Manuel Pedro Ferreira fez a este concerto no Jornal o Público.........

«Adoro» Jordi Savall... precisamente por tudo o que M.P.Ferreira o critica ...:-)

http://jornal.publico.pt/noticia/10-11-2010/cafe-turco-musical-20579041.htm