domingo, 12 de agosto de 2012

soneto à minha filha Violante









Acorda cedo como os passarinhos
e vem logo direita à minha cama;
sacode-me com jeito, por mim chama
e abre-me os olhos com os seus dedinhos.

Estremunhado, zango-me. -
"
Beijinhos,
não quer beijinhos?
"
- com voz de ouro exclama.
Da minha ira empalidece a chama,
e, acarinhando-a, pago os seus carinhos.

Senhor! Que amor de filha tu me deste!
Dá-lhe um caminho brando e sem abrolhos,
dá-lhe a Virtude por amparo e guia!

e destina também, ó Pai celeste,
que a mão com que ela agora me abre os olhos,
seja a que há-de fecharmos algum dia!


(Eugénio de Castro)









  

























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