domingo, 24 de julho de 2011

in memoriam ...

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(Alastair Magnaldo)
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("Mais il est bien court le temps des cerises...")
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« (...) Tem toda razão, o mutismo dele é ensurdecedor.
É o silêncio das florestas primitivas, tão pesado que sufoca.
Às vezes, surpreendo-me com o obstinado desdém que o nosso taciturno amigo demonstra pelas línguas civilizadas. O seu trabalho é atender marinheiros de todas as nacionalidades neste bar de Amsterdão, a que deu o nome, ninguém sabe bem o motivo, de Mexico-City.
Não acha, meu caro senhor, que esses deveres acabam levando a sua ignorância a se tornar incômoda? Imagine o homem de Cro-Magnon hospedado na Torre de Babel! No mínimo, sofreria uma sensação de desterro. Mas não, este não sente o exílio, segue seu caminho, nada o atrapalha. Uma das raras frases que ouvi da sua boca proclamava que era "pegar ou largar". Pegar ou largar o quê? Sem dúvida, ele próprio, nosso amigo.
Vou fazer-lhe uma confidência: sinto-me atraído por essas criaturas graníticas. Quando pensamos muito sobre o homem, por trabalho ou vocação, às vezes sentimos nostalgia dos primatas. Estes não tinham segundas intenções. (...) »
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- A Queda -
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(Albert Camus)
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