domingo, 16 de setembro de 2012

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A Destruição
 
 
 
Sem cessar ao meu lado o Demónio arde em vão;

Nada em torno de mim como um ar vaporoso;

Eu degluto-o a sentir que me queima o pulmão,

Enchendo-o de um desejo eterno e criminoso.

Toma, ao saber o meu amor à fantasia,

A forma da mulher, que eu mais espere e ame.

E tendo sempre um ar de pura hipocrisia,

Acostuma-me a boca a haurir um filtro infame.

Ele conduz-me assim longe do olhar de Deus,

O peito a repartir-se de morna exaustão,

Pelas terras do tédio, infinitas, desertas,

Para depois jogar os torvos olhos meus

Ascorosos rasgões e feridas abertas,

E os aparelhos a sangrar da Destruição!
 
 
 
 
 - As Flores do Mal -
 
(Charles Baudelaire)
 
 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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